sábado, 9 de março de 2013


Sinopse:
“‘Sangue De Tinta’ dá seguimento à aventura de Meggie e seu pai, Mo, um encadernador de livros que tem o estranho dom de dar vida às palavras dos livros que lê em voz alta, fazendo seres das histórias surgirem à sua frente como que por mágica. No primeiro volume da trilogia “Mundo De Tinta”, a língua encantada de Mo traz à vida alguns personagens de um livro chamado “Coração De Tinta”, e acaba mandando para dentro da trama a mãe da menina. Agora, neste segundo episódio, Meggie dá um jeito de entrar ela mesma no mundo fictício de Coração de tinta, onde tem o prazer de encontrar fadas, príncipes e saltimbancos que dançam com o fogo; e o sofrimento de acompanhar as artimanhas de vilões cruéis e sem misericórdia. Uma jornada sombria, repleta de fantasia e aventura.”

Resenha:

Após terminar a leitura de “Coração de Tinta” eu já estava pensando em ter a continuação desta série em mãos para poder devorá-lo. Fiquei me perguntando se “Sangue de Tinta” seria um livro tão bom quanto seu antecessor, o surpreendente é que esta continuação me deixou ainda mais entusiasmada com a história, fiquei grudada nas páginas sem conseguir parar de ler.
Em “Sangue de Tinta” reencontramos Meggie e seus pais , Mo (Língua Encantada) e Resa, vivendo um momento de grande tranquilidade na casa da Tia Elinor, após ter se passado um ano de toda aventura contada em “Coração de Tinta”. Não é difícil prever, no entanto, que esta paz estava prestes a acabar.
Ainda obcecado em retornar para seu mundo, Dedo Empoeirado encontra o leitor Orfeu que promete devolvê-lo para o Mundo de Tinta. Feliz em ter alcançado o que desejou por dez anos, Dedo Empoeirado nem imagina que caiu numa armadilha planejada por Basta e Mortola, seus velhos inimigos.
Por sorte, Farid, o adolescente retirado da história “Ali Babá e os 40 ladrões”, descobre o plano de vingança dos inimigos de Dedo Empoeirado e logo busca a ajuda de Língua Encantada e sua filha, Meggie, por quem está apaixonado, desejando ser lido para dentro do Mundo de Tinta assim como seu mestre. E é com este pedido de ajuda, que toda a calmaria dá adeus à vida de Mo. Meggie, após ter ouvido as histórias de sua mãe Resa sobre este mundo, não consegue resistir a tentação e faz o que até agora era impensável: se lê para as páginas de “Coração de Tinta” junto com Farid.
“O medo de repente inundou Meggie por dentro, como uma água escura e salobra. Ela se sentia perdida, tão perdida, sentia em seus braços e pernas. Ela não pertencia aquele lugar! O que fizera?”
É aí que a história de personagens conhecidas do livro anterior e novas personagens começam a se misturar. Buscando salvar Dedo Empoeirado, acompanhamos Meggie neste universo repleto de seres fantásticos e claro, muitas aventuras. Conhecemos os salteadores tão comentados em “Coração de Tinta” e seu líder o Príncipe Negro sempre acompanhado de seu urso, assim como também somos apresentados a Cabeça de Víbora, um rei extremamente cruel e poderoso e seus encouraçados, dentre eles antigos incendiários de Capricórnio.
“Mas então ela viu que o homem para o qual todos olhavam com tanta culpa era negro. Tudo nele era negro, seus cabelos longos, sua pele, seus olhos e até mesmo suas roupas. E ao lado dele, quase uma cabeça mais alto, tão negro quanto seu dono, estava um urso.”
A partir daí fica impossível dizer qualquer coisa, muitas personagens surgem e muitas reviravoltas acontecem. Percebemos que muitas coisas neste mundo parecem não estar acompanhando o destino escrito por Fenoglio, autor do livro que também está preso em sua própria história vendo ela seguir um caminho obscuro e cruel. E na tentativa de colocar a história no rumo certo novos obstáculos vão aparecendo.
“Meu Deus, Meggie, como estou contente por você estar aqui! Agora vamos tomar as rédeas desta história! Com as minhas palavras e a sua voz…”
No meio de paixões inesperadas, pactos com a morte, armadilhas, a entrada de novos e importantes personagens, romance, batalhas, perdas e vitórias, o Mundo de Tinta vai tomando forma diante dos nossos olhos, nos fazendo sentir diferentes emoções, prendendo-nos em suas páginas.
“Como que anestesiada, ela o seguiu sob as árvores escuras. Um salteador! Ela não conseguia pensar em mais nada. Ele fez de Mo um salteador, parte de sua história! Naquele momento, Meggie odiou Fenoglio, tanto quanto Dedo Empoeirado o odiava.”
Mais uma vez através da narrativa em terceira pessoa Cornelia Funke vai nos mostrando aos poucos o que está acontecendo com diferentes personagens e lugares. Viajamos do nosso mundo ao Mundo de Tinta em seus capítulos, que de novo trazem ótimas citações que funcionam como avisos, dando dicas do que está para acontecer.
“Sangue de Tinta” tem um desenvolvimento rápido assim como seu antecessor, mas demora mais a ganhar ritmo, suas primeiras páginas parecem embaladas pela calmaria instalada na vida de seus protagonistas até que tudo começa a desandar e a se agitar de forma simultânea.
Confesso que foi impossível segurar as lágrimas nas páginas finais deste livro que diferentemente de “Coração de Tinta” termina com um gancho enorme para o próximo e úlltimo livro “Morte de Tinta”. Nada foi fechado neste livro, pelo contrário existem muitas questões em aberto. Estou que não me aguento de curiosidade para saber o que espera por Mo, Meggie, Farid, Dedo Empoeirado e tantos outros que me conquistaram ao longo desta aventura.
Depois desta leitura eu posso afirmar que a autora Cornelia Funke entrou para minha lista de autoras favoritas, apesar dos sustos que me pregou em “Sangue de Tinta” estou convencida que irei me apaixonar por tudo que ela venha a escrever.

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